
Preserve os elementais da terra
Depoimento extraído do processo concluso no primeiro conto da série.
Promotor-feiticeiro – Chamo para depor a testemunha chave do processo, meretíssimo. A criatura tem um relato pormenorizado dos fatos.
Advogado- Data vênia! A raça goblin não está autorizada a depor neste julgamento!
Juiz-sacerdote – {Silêncio} Advogado! O depoente não é um goblinóide. Monstro, jura dizer a verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade?
Depoente – Claro! O senhor acabou de me enfeitiçar para isto…
2ºlugar- O Mineiro
Meu nome é Boozel Goipada e não sou apenas um velho kobold. Eu venho de uma linhagem forte entre a gente. Meu antepassado, Brandt Mascador-de-colher, foi o descobridor de um novo metal, que batizou de kobalt, em homenagem à raça, mas traduzido por cobalto por gnomos invejosos (*cuspe*). Depois o mineral foi menosprezado pelos anões (*cuspe*) que não acharam nele utilidade prática. Brandt também foi o inventor das latas de alimentos em conserva, que ofereceu de presente a príncipes humanos e élficos (*cuspe*), que morreram intoxicados pelas latas do mineral. Isto acabou gerando um mal-entendido vingativo até hoje. Continuando… Brandt teve muitos filhos e seu nome ficou famoso como símbolo de que não vale a pena ajudar outros bichos pelo altruísmo (*cuspe*), pois se algo dá errado, ninguém leva o passado em consideração! Pra manter a tradição acesa, eu também tive muuuitos filhotes, com uma dúzia de fêmeas, mas sou um kobold sério! Eram todas da minha família!
Mantendo a honra do meu tataravô, eu, Boozel, me empenhei em virar um escavador e acumular muito kobalt. Quando eu tivesse bastante, mandaria cunhar moedas e, com uma boa lábia e alguns contato certos, planejava destituir o ouro (*cuspe*) e colocar o metal nosso no lugar. O diacho é que eu só vinha achando minas de níquel (*cuspe*) e quem diabos gostaria de andar com moedas de níquel no bolso? (*cuspe*)
O trabalho de uma vida não me deixaria rico, mas me deu perícia, atributos físicos e cachola! Um mineiro kobold acha engraçado que o povo quando pensa em mineiro se lembra de anões (*cuspe*), não da gente. Só pode, foi um engenhoso plano kobold fingir incompetência pra que a raça possa comer quieta. Pequenos túneis kobolds podem infestar uma cidade humana, se enraizar nas galerias de água e perfurar os silos de alimentos. E os humanos o que fazem? Pensam que foram ratos e compram ratoeiras e gatos! (*cuspe*)
Mas nem tudo prum mineiro é diversão não! Eu e meus 32 filhos fomos chamados pruma escavação. E a mando do famoso Rei destas terras, Pérfidus, O Grostesco. As escavações seriam feitas nas ruínas do antigo castelo real, que tava abandonado faz teeempo.
Dizem por aí, eu não sei, que o Rei fez alguma coisa para ampliar o reinado dele… o que eu não acredito! Um humano vive mais que dez gerações kobolds, então tempo é algo que eles não devem se preocupar.
Mas isto não é assunto prum mineiro. O que me aperreava é que alguém já tinha descoberto que os kobolds são bons construtores de túneis e isto era ruim (*cuspe*).
Segundo detalhamento preciso, fornecido por um cavaleiro negro que não tinha sombra, eu construiria uma masmorra embaixo do castelo velho, que era a antiga morada do príncipe herdeiro (*cuspe*). Eu tinha ouvido de um Gnoll, faz teeempo, que o príncipe rebelou-se e tentou tomar a coroa. Falhou, foi morto, teve a alma levada prum inferno e por conta disto a vila se tornou amaldiçoada(*cuspe*). Bem-feito! Quem mandou querer matar o pai!

mapa da masmorra (quando o mestre tem preguiça)
Eu só não imaginava por que teria que ir para lá. Recebendo o projeto, que pelo jeito tinha sido feito por algum bugbear (*cuspe*), vi o porquê. Havia uma sala principal , onde estava escrito: “salaum da masça da dezintregassaum”.
Com prazos pra cumprir, a gente fomos andando até a vila amaldiçoada (*cuspe*). Nem sempre chegar ao local de trabalho é a parte mais delicada do meu dia. Além do perigo de dasabamento de túneis, há o de encontrar um veio de gás explosivo, ser intoxicado por metais venenosos ou asfixiado pelo ar viciado. Agora, sem querer me gabar (*cuspe*), o ar viciado não é problema pros kobold. Eu mesmo já passei três dias preso num fosso lacrado me alimentando de baratas e ovos do lagartos do barro (*baba*). O gás explosivo também não é problema nenhum, a vista dos kobolds faz com que não precisemos de fogo para trabalhar no escuro, o que evita muito problema. O inconveniente é quando encontramos aquele óleo preto vazando das profundezas das pedras (*cuspe*), uma praga inventada pelos diabos sem nenhuma serventia. Nos tempos de hoje, quem precisar mesmo de uma lanterna compra logo uma com luz mágica!
Quando távamos perto do trabalho, depois de anos de maldição (*cuspe*), as plantas cresceram feito ervas daninhas. O Boozel aqui, e meu filhotes, tivemos que passar por aquela floresta pra chegar à vila. Nos esgueirando, conseguimos chegar numa área menos verdejante. Aí uma das árvores se fez em velha mulher, coberta por um manto pesado e bradou assim:
- Kobolds! Esta terra chora pelo que foi feito! E a calamidade só terminará com a destruição do rogador da maldição! – foi o que ela disse.
- E o que nós temo a ver com isso, minha senhora… – disse um dos meus filhos, que em seguida foi esmagado por raízes que pularam da terra.
- Vós carregais a arma redentora e vós não saireis daqui… – daí ela não pode falar mais nada.

Quem é este cara?
Uma alcatéia de lobos mortos-vivos supreendeu a druida (*cuspe*) e o nosso grupo também (*peido*)! Enquanto a mulher brigava com a maioria, eu e meus 31 filhos fugimos dos outros zumbis-lobos. Ao cruzarmos a mata, eu e meus 27 fihos deixamos as feras pra trás.
Na entrada da vila tinha um fantasma que estava esperando pela gente. Fomos com ele até o castelo onde cavaríamos os túneis. Chegando nos portões, um filho meu correu até a porta, antes que o fantasma pudesse dizer as palavras de comando para desarmar um símbolo da morte. Como o Rei Pérfidus ia odiar saber que a melhor armadilha tinha sido desfeita, para que mais nenhum ser vivo ou morto-vivo se prejudicasse, combinamos que ninguém mais tocaria nesse assunto.
As escavações começaram calmas. Avisei aos meus 26 filhos que se assegurássem de nunca cavar profundo demais! Pois existem muitos demônios ancestrais escondidos nas entranhas da terra. E contei um lenda goblin sobre anões que fizeram isto numa montanha e se estreparam! (*cuspe*)
A parte chata do trabalho de mineiro é quando precisamos seguir as ordens de alguém mais ignorante que nós, só que muito mais poderoso! Resultado: haja labirinto!!! Tudo isto pra depois encher de minotauro! E o que os minotauros vão querer? Mulher Virgem!!! E onde vão arranjar as virgens? De alguma cidade conquistada! E como conquistar uma cidade? Fazem um acordo com um dragão!!! E o que o dragão ganha nisto? Ouro, muito ouro! E com quem vão conseguir o ouro? Os mineiros de novo! (*cuspe*)
Não seria mais fácil para proteger algo, depois de fazer a sala central, demolir os túneis de acesso? Não era! Um dos meus filhotes foi reclamar do projeto para o Devorador de Mentes que supervisionava a obra e o chefe “deu baixa nele“. (*cuspe*)
Rá! Problema foi na hora de instalar as armadilhas! Aquelas de colocar uma bola de pedra para sair rolando numa rampa,sempre dá errado na primeira tentativa. Sem falar das de teto caindo, fosso de espinho, pilar de esmagamento…e haja trabalho pra mim e meus 14 filhotinhos!

Cuidado onde cava!
E eu ainda não contei o melhor! Sabe por que existem tantas masmorras abandonadas? (*cuspe*) Porque nunca dá tempo de terminar! Veja o caso dessa que eu tava construindo. Enquanto eu e o Chefe-cara-de-polvo távamos na sala principal, discutindo onde iríamos soltar a mantícora enjaulada, escutamos o urro do minotauro mocho (*cuspe*). Este minotauro petiscou meus filhos perdidos no labirinto e por isso teve os chifres cortados pelo chefe Illithid! Só que o mocho era desleixado demais com as ossadas e deixou uma trilha entre a entrada da masmorra e o salão principal. Como tinha muito serviço apenas para mim e meus 9, não deu tempo de limpar! O local tinha kobalt e aproveitamos para minerar um pouquinho.
Só sei que quando os aventureiros trucidaram a Mantícora enjaulada na ante-sala e o chefe inventou de impedi-los, passando pelo corredor e pisando justamente com o peso certo para acionar aquela armadilha de esmagamento que um dos meus meninos tinha acabado de armar, vi que estava laaascado! Pelo menos não tava transformado em pirão de polvo (*cuspe*). Mas o pilar que caiu no corredor não ia impedir dos aventureiros chegarem no salão da arma, que já estava lá no suporte, não sei pra que, só botei lá porque me mandaram!
Minha reação foi a de me esconder. Só tive tempo de me enterrar em um baú de tesouros, que seria usado como salário pros monstros. Como não sou besta, me escondi no meu, que estava cheio de pedras de cobalto (*cuspe*). Como eu suspeitei, os aventureiros mataram todo kobold que avistavam e vieram vasculhar o tesouro. Quando chegaram no meu baú e viram que era kobalt, neeeem triscaram! Foi ai que dei uma brechada e vi que o humano tinha levado a arma mágica. Esperei a poeira baixar, fui até um túnel kobold de emergência e fugi dali o mais rápido possível.

Comentários (7) »
T´vendo, porque kobolds tem muitos filhotes? Para fazer dungeon e morrer no processo. Abaixo a exploração kobold! Eles devem ser sindicalizados e ter leis trabalhistas.
Se preocupa não, agora ele tira férias de um mês e já vai ter mais 32 filhos para fazer a proxima dungeon
O veio de kobolto deve levar direto pro salão do rei perfidius
Pooooooooooooooooooooooooooooooooooow, demais! Demais estes posts! Poxa, tô gostando msm! E haja criatividade! Parabéns!
Abçs!
Muito, muito bom. Hilário, bravo! =D
A título de dicionário de gírias nordestinas:
Goipada – cusparada
Cachola – cuca, mente
Lascado – fudido, ferrado
Tirando o Goipada, o resto eu sabia. Mas bom relembrar.
Essa foi a melhor! Pode ter certeza!!!!
Adorei muito!!! huahuahuahauhauahuhauahuahuahuahua
Pode crer, também acho esta a melhor!
[...] Mineiro (as sete piores profissões para fantasia medieval) Um post bem divertido e envolvente de um kobold falando sobre sua vida e conseqüente profissão. [...]