As 7 piores profissões da fantasia medieval- (5ª)-lenhador

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Alguns entram em certos locais por emoção, outros por profissão. Agradeça aos deuses por ter encontrado mais que um salário mínimo na última aventura.

3º lugar – O Lenhador

Markun Brazfäller era chefe de um grande grupo de anões e anãs lenhadores. Muitos no seu povo o consideravam excêntrico e outros que era apenas um cabeça-dura maluco. Mas, quando Markun recebia uma missão, costumava cumpri-la.

Bovdur Kriegsherr, o Senhor dos Anões, precisara construir um novo forte na fronteira, para a guerra contra os goblinóides, aquela que se arrastaria por décadas. Bovdur dispunha de rocha e metal em abundância, mas o reino dos anões era carente em madeira de lei. O time de Markun fora encarregado de explorar a fronteira sudoeste para consegui-la. O Senhor dos Anões planejara com o material, a construção de novas armas de cerco, que esmagariam as muralhas hobgoblin ao sudeste. Markun reunira seus camaradas e calculara em dez dias de trabalho o tempo para a equipe cortar a madeira exótica necessária. Depois mandaria contactar um destacamento de transportadores do exército e voltaria para receber o ouro dele.


Após dias de caminhada, os lenhadores passaram pela última aldeia do reino na região. Comunicaram as autoridades militares do cunho da missão e avisaram ao tenente do exército de fronteira das obrigações que eles teriam com a carga. O tentente sorrira e desejara sorte para eles.

Markun e os lenhadores sentiram o cheiro de mata virgem. Bem diferentes dos troncos esparços e retorcidos, comuns nas montanhas natais, aquele seria o local ideal onde cresciam as raras árvores que trariam a vitória. O experiente chefe sentiu uma coceira no queixo, sinal de ali não seria um bom local. Madeira nova e verde, espécie diferentes, mas inadequadas. Não queria, mas buscou uma área melhor para começar a incursão.

nixieVasculharam a borda por dois dias para achar o melhor local para trilhar. Observaram a área por mais cinco! Não vendo sinal de monstros, entraram. Marcharam por três dias na mata até descobrirem a madeira certa, bastava serrá-la! Sr.Machado e Sra Serra se puseram a trabalhar. E quando uma árvore caía nas profundezas da floresta, o som se fazia ouvir! Após um dia de trabalho, cansados, Markun mandou um dos camaradas trazer água dum lago próximo. Sabia que ir até a poça, encher um barril e trazê-lo não levaria nem meia hora. Uma hora se passou e nada. Ordenou que mais dois fossem ver o que sucedeu. Esses também não voltaram. Os anões não sabiam, mas nixies não gostam de ter sua água bebida. Os anões, enfeitiçados, lançaram-se às águas. Eles, pelas mãos das fadas, foram mergulhar no fundo do lago… e lá ficaram.

Quando a preocupação estava se aproximando, Markun bradou aos demais que não toleraria deserções. Intimamente sabia que havia perigo naqueles lados. Foi ele mesmo, junto com mais dois, apanhar água em um regato afastado. Quando voltaram, são e salvos, o moral dos lenheiros se elevou. Armaram acamapamento e descansaram.

Pelo raiar, nenhum sinal da madeira cortada. Os lenhadores investigam o local onde tinham amontoado  a madeira e havia sinal de rastros, mas nada com pés. O rastro lembrava tentáculos, mas uma trilha de  folhas deixava claro o que aconteceu. As árvores levaram a madeira! Um dos anões afirmou ter visto as plantas se moverem, todavia fizeram isto tão lentamente que aquele julgou estar vendo coisas.

- Seus idiotas! Como podem anões, de visão clara mesmo na escuridão, serem tapeados por plantas? – disse o líder.

- Mestre! Não acreditavamos isto ser possível – falaram os vigilantes.

- Árvores não se movem!- choramingou outro.

Os lenhadores vigias, procurando se redimir, caminharam até uma árvore, empunharam os machados e reiniciaram o trabalho. Os machados partiram  lascas da árvore e os galhos desta partiram as cabeças dos machadeiros. Como troncos, eles desabaram e lá ficaram.

Tochas foram acesas e óleo foi espalhado. O fumo e a brasa começavam a formar uma muralha entre os anões e as árvores andantes. O chefe agiu rápido e protegeu seus companheiros, enquanto a ente se limitava a animar as árvores mais secas para fora do lugar, evitando que as chamas aumentassem de proporções. O medo se transformou em esperança e a esperança em euforia. Com mais uns frasco de óleo, um grupo deles fariam as chamas chegarem à ente assassina. Só que um unicórnio, supreendentemente, saltou sobre as chamas e desmantelou a formação anã. Perfurados e esmagados, gemeram… e lá ficaram.

Ótimo local para acampar

Ótimo local para acampar

Os sobreviventes correram até o limite, entrando mais ainda na mata. Markun os acalmou e os relembrou que estavam em missão pelo reino. Estavam ali por Bovdur Kriegsherr, o Senhor dos Anões! E resistentes como a rocha se reagruparam. Uma velha druida, que do nada surgiu, lançou um aviso:

-Cuidado Markun Brazfäller, estão pisando em solo élfico sagrado! – e, se transformando em pássaro, voou dali.

Se afastando do local, se reorientaram e reiniciaram o serviço. Impiedosos e sem qualquer menção de se ocultarem, três pares de arqueiros elfos atacaram. O zunido das flechas só não era mais insuportável do que o estrago provocado por estas. Uns descobriram da pior forma a abrangência do solo élfico sagrado… e lá ficaram.

Tinham perdido metade dos integrantes, estavam exaustos e com menor equipamento. Cautelososíssimos, acharam uma zona calma, onde nem um piar era ouvido. Voltaram a cortar madeira, e quando julgou que tinha conseguido juntar um quarto do total, Markun mandou que metade da equipe levasse uma parte daquela entrega, enquanto a outra turma improvisaria algo para carregar o resto. Ele sabia que não levaria o comprometido, mas que seria suficiente para algo. Enquanto faziam carroças e cordas, perceberam uma grande revoada de pássaros e muitos animais disparados pelo bosque. Um dragão verde adormecido acordou e estava faminto. Ao encontrar os anões, todos debandaram, mas muitos foram alcançados… e lá ficaram.

Com um pequeno grupo de sobreviventes, Markun vagou até achar uma trilha. Viu marcas de cascos de cavalos ainda frescas. Motivou o grupo a segui-las, pois poderiam ver humanos. Markun nunca tinha visto centauros. E os centauros não intentavam  ajudar destruidores das matas. Pela floresta, os que foram empalados, pisoteados e frechados se despediram da vida… e lá ficaram.

Os últimos anões e anãs, dispersos, perdidos e famintos. Envenenados por frutas exóticas, enforcados por galhas malditas, molestadas por sátiros, devorados por trolls, foram dominados completamente… e lá ficaram.”

a-nymph-in-the-forest- Como a senhora soube disto tudo, ó Grande Dama das Ninfas? – perguntou a sprite.

- O anão Markun, recoberto de chagas, encontrou o meu jardim, mas o olhar dele revelava um brilho n’alma inapagável. Então dei-lhe a chance de viver comigo ou padecer no paraíso.

E prosseguindo o relato, rodeada de fadinhas, a ninfa sussurrou:

- Ele viveu comigo muito tempo. Porém, quando a saudade das montanhas obscureceu-lhe o brilho n’alma, consenti que Mark voltasse para a terra natal. Mas, que deveria voltar! Pois daria-lhe a chance de responder, em perfeito estado, se ele desejaria viver comigo ou viver com povo dele. Ele jurou-me que regressaria.

- E o Senhor dos Anões? Perdeu a guerra?- indagou a Sprite.

- Sim, ele soube do ocorrido. Mesmo sem as máquinas o rei deles venceu! Mas houve algo que o decepcionou muito.

- O que? – perguntou a curiosa fada.

- Eles haviam levado parte da madeira, mas o Lorde Kriegsherr não empregou-a. Ordenou outro destino…

- Qual?

- Que fossem usadas para tingir as roupas do rei! Sabendo disto, Mark voltou para cá muito triste e disse deveria ter escolhido a segunda alternativa desde o ínicio.

Fez uma pausa e prosseguiu:

- Não entendi o que ele queria dizer a princípio. Ele se despediu de mim; cavou a terra; plantou uma muda da mesma rara árvore; se deitou ao lado dela; expirou profundamente… e lá ficou.

Comentários (3) »

  • rsemente diz:

    Realmente é uma profissão bem perigosa essa de lenhador :P eles costumam ir cortar elnha … e lar ficarem!

    uauhauauhauh

  • Elisa diz:

    Eu que não gostaria de ser lenhadora. É praticamente ser um agente da polícia entrando em boca de fumo, sabe que entra mas não sabe se sai.

  • Arquimago diz:

    Nossa! APesar de não ter entendi o final, de plar a arvore, mas tudo bem, não sei porque, mas acho que eles vieram para o Brasil!

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