
É uma virose
Continuando a série de desagradáveis profissões, que só o mestre é capaz de interpretar (e ainda assim porque é obrigado). Agora pare de reclamar das suas armas+1.
6ª lugar- O Médico
Marcus é um estudioso do corpo humano. Apesar de ter dissecado muitos animais ele não é um necromante. Marcos tenta identificar e tratar quais as causas das moléstias que assolam o mundo. Ele gastou grande parte da fortuna da família tentando seguir uma área muito desprezada na sociedade, a medicina.
Pela manhã, o médico vai visitar o seu paciente enfermo, este apresenta bolhas pustulentas pelo corpo. Os pés estão inchados e machas escuras enegrecem a face. Há três dias o doutor cauteriza as bolhas com uma lâmina quente e faz pequenos cortes nas áreas inchadas para que o sangue ruim se esvaia. O seu paciente continua piorando e Marcus não sabe o que é.
Ao entrar na vila onde vive o doente, ele o encontra alegre trabalhando nos campos, carregando fardos nas costas como uma mula de carga. Intrigado, vai à residência do ex-enfermo e descobre que um paladino passou por lá na noite anterior. Os moradores ofereceram abrigo contra a chuva e o bondoso cavaleiro tocou nos ferimentos do doente. Pela manhã, quando o herói partiu, a doença tinha partido também. Marcus voltava para casa, feliz pela melhora do enfermo, mas desapontado por não saber se o tratamento por ele ministrado surtiria alguma efeito após as sessões de sangria estarem finalizadas.
No fim de semana, o experiente Dr. Marcus vai visitar um ancião que sofre de catarata. Famoso por ser um exímio raspador de cartilagem ocular, esta tarefa lhe rendia uns bons honoráios e reputação. Seus instrumentos não chegaram a sair do pesado bornal que carregara. O velho comerciante tinha ouvido falar de um profeta que distribuía curas e fez uma vultuosa doação ao homem. A vista apagada pela idade agora estava como a de uma águia! As palavras alegres do velho cliente soavam como bicadas nos olhos do pobre médico. Ele tinha a renda da cirurgia periódica como certa.
No dia seguinte cabia-lhe marchar até o forte, sede da guarda da cidade. O Capitão local sentia muitas dores nos dentes, e a extração deles era uma forma de remediá-la. Como o homem já tinha se recuperado da cirurgia e ainda tinha dentes podres, uma nova visita seria muito bem quista. Não chegou a entrar no forte. Um soldado informou que o capitão e ele galopavam pelos bosques, quando uma imensa dor-de-dente no capitão os fez parar. Os gemidos do líder atraíram a atenção de uma velha eremita que morava na floresta. A anciã preparou umas ervas e aliviou a dor do capitão. Ela deixou com ele um pote com um cataplasma para caso algum dia a dor voltasse e tão subitamente como veio, ela sumiu entre as árvores. Antes de ir embora, soube do guardinha que o capitão não estava feliz por ter tido um dente arrancado sem necessidade.
Restava-lhe somente a filha do Barão. Acometida de um mal desconhecido, a jovem há meses estava enfraquecida e pálida. Encontrava conforto em algumas infusões especialmente preparadas e dietas apropriadas. O estado da moça era grave, mas estável. Marcus tinha especial dedicação pela jovem, de tao triste que estava, o barão prometia a mão dela em casamento ao homem desimpidido que fosse capaz de salvá-la. Sabia inclusive que alguns sacerdotes tinham falhado mesmo sabendo que os templos a qual pertencia receberia grande doação. O rosto do Barão revelava imensa felicidade. Estava preparando o casamento da filha, que cantarolava no pátio em jubilo. O Barão fez questão de apresentar ao noivo, o médico que tratara da futura esposa dele até ser salva. O noivo era um famoso mago da região. Explicou ao doutor que a garota não estava doente e sim sucumbindo a influência maléfica de Incubus, que a drenava. Por isso, de nada curas mágicas ou mundadas surtiriam efeito enquanto a causa não fosse extirpada.Ao banir perpetuamente o Incubus para a chama, a flama purificadora do mago removera para sempre a mancha vil da jovem dama. Com um sorriso amarelo, recusou o convite ao casamento,a alegando dever inadiável.
Caminhando pelas ruelas da cidade, o doutor se conduziu à guilda dos estaleiros, local onde a todo tempo ocorriam acidentes. Algum construtor de barcos sempre se machucava e a guilda pagava honrosamente pelos serviços médicos prestados. Por sorte (para ele ao menos) um velho artesão acabará de cair de um andaime e talhado as costas em ripas de madeira. Antes que o médico pudesse pensar onde gastaria o pagamento. Um halfling, que esperava o barco ser reparado, tirou uma poção que regenerou instantaneamente o ferimento profundo, após fazer o artesão talhado bebê-la.

Meu plano de saúde não cobre este tratamento
Numa fúria cega, esbravejante, Dr. Marcus parte insandecido para cima do pequeno halfling, segurando seus bisturis nas mãos. Antes que apunhalasse o halfling, uma flecha élfica perfurou-lhe o pescoço. A voz de agonia faltou. A vista dele turvou. E o médico tombou inerte. Pouco tempo depois de ver a Luz, o médico retorna a si e dá-se conta que não vira o brilho divino e sim o clarão diurno de sempre. Um sacerdote gnomo, que andava com o elfo que o tinha matado e com o halfling que ele queria ter matado, lhe pedia desculpas pelo incidente fatal e esperava que tê-lo trazido à vida tivesse ao menos reparado parte da tragédia. Ciente da sua incapacidade como profissional ante tantos males mundanos. Inconformado com o tempo, fortuna e dedicação desprendidos por ele para que apenas uma fração do dons da cura fossem dominados. Tendo tudo que ele é e sonhou, estando muito aquém do que leigos e desleixados poderiam fazer, sem nem sequer terem faculdade para isto. O médico enlouqueceu, enlouqueceu de ódio. Todovia o sábio gnomo tinha uma magia para remediar isto preparada naquele dia.

Comentários (12) »
Genial!
Se você sustentar a genialidade dos dois primeiros artigos para os 5 restantes, teremos o ganhador do Post awards de 2009!
Parabéns!!!
Se essa é a sexta não quero ver nem o restante! haauhuahaua
Eu ri muito, depois fiquei triste. Excelente
huahuahuahua…muito legal. è bem o que aconteceria com esta profissão no mundo de D&D
[...] O Daniel Elfo, no Pensotopia, está mandando bem na série de piores profissões medievais. A última é o médico; [...]
Adorei! O final foi D+!
Nunca imaginei que ser médico em fantasia medieval era tão péssimo! xD
Fquei até com peninha desse tal Marcos…
O negócio é virar clérigo!
Quem disse que é fácil a vida de não-aventureiro?
Muito bom!
p*taquepariu que ódio.
E novamente, mais uma vez, de novo o Pensotopia me faz pensar: Queria ter escrito isso!
Vão ter ideias geniais assim lá na casa do chapéu! Saco!
chape(é)u tem acento? ALLANAAAA!!!!!!!
[...] pelo tema abordado. E,claro,minha dica de Blog é você conferir o Pensotopia na matéria : As 7 piores profissões da Fantasia Medieval (2ª) – O Médico [...]