Olá pessoal. Me chamo Luiz, sou da velha guarda do RPG, mas um dos novatos aqui no Pensotopia. Entre outras coisas, pretendo postar resenhas de alguns dos meus jogos aqui e vou começar desde já, com um jogo antigo mas um dos meus favoritos, o Cyberpunk 2020.

Edit: deu algum pau no Wordpress e ele postou antes de terminar a edição, então se você que nos lê via RSS estiver sem ver as imagens visite o blog pra ver as fotos das toneladas de suplementos desse jogo!

Este jogo de Ficção científica de autoria do grande Mike Pondsmith (Castle Falkenstein, Fuzion, Mekton e muitos outros), publicado originalmente pela R. Talsorian Games e no Brasil, pela nossa queridíssima (perceba o sarcasmo) Devir, se apresenta em edição de capa mole, com interior em preto e branco (tanto a versão nacional quanto a importada), em um volume com cerca de 300 páginas e foi um sucesso durante toda a década de 1990.


Cenário

O cenário básico descrito pelo livro de regras aborda a cidade Night City e descreve um futuro sombrio e violento imaginado pelo autor no início da década de noventa, onde a internet engatinhava e aparelhos de celular eram um sonho distante. Apesar de a descrição do cenário em si ser genérica e extremamente aberta, o autor faz questão de deixar claro que o Governo não manda mais na nação, que foi posta de joelhos por corporações (aliás, mega-corporações) e é incapaz de lidar com a violência das gangues urbanas e nômades.

Os jogadores podem optar por uma ampla gama de personagens (que é ampliada ainda mais nos suplementos que seguiram o livro básico), indo de executivos sem escrúpulos a serviço das mega-corporações a atravessadores, os traficantes de tudo o que for traficável no ano 2020, passando por policiais, solos (os tanques de guerra sobre pernas do cenário), mídias e astros do rock, além de muitos outros.

Sistema

O básico do jogo é muitíssimo simples. Basta rolar 1d10 e somar o resultado ao atributo ou perícia que estiver em teste. Se o resultado for igual ou superior à dificuldade estipulada pelo mestre, temos um sucesso, do contrário uma falha.

A criação dos personagens é igualmente simples: o mestre dá certo número de pontos para que os jogadores distribuam entre os atributos (geralmente entre 60 e 80) e 40 pontos para distribuir entre as perícias do papel (a classe do personagem). Depois, com base nos atributos, o jogador recebe mais uns pontinhos para comprar perícias gerais, ou seja, todas as que não forem específicas do papel.

A grande sacada do jogo é a Fluxovida (ou “lifepath” na versão inglesa), onde o jogador, através de uma série de jogadas de dados, cria um plano de fundo para o personagem, que geralmente incluí amores, amigos, inimigos, estilo de roupas, doenças, ganhos e perdas financeiras, relação com pais, irmãos e familiares e por ai vai. É muito legal (e ótimo para jogadores preguiçosos)!

Cibertecnologia

Obviamente um jogo de Cyberpunk não seria nada sem os cibernéticos e toda a parafernalha “high-tech”. No jogo, há uma ampla gama de equipamento e implantes que pode ser utilizada pelos personagens, substituindo a carne pelo metal e plástico, indo de coisas simples, como tatuagens que se modificam de acordo com o humor à corpos totalmente artificiais, mas isto tem um preço. Se você acha que Vampiro foi o primeiro jogo a utilizar a humanidade para representar o descaminho do homem face à besta, sinto informar que não foi. Em Cyberpunk 2020, praticamente todo implante tem um custo em pontos de humanidade, e cada vez que o total de humanidade do personagem cai, ele fica um pouco mais máquina e um pouco menos humano, até o ponto que se torna uma besta sem alma, um ciberpsicótico (um maluco desalmado totalmente dominado pela máquina).

Netrunning

O Cyberpunk 2020 é um jogo de uma época onde a internet engatinhava e o que era realmente moda eram as BBS (bem curto e grosso: a internet pré-histórica, cuja abrangência era geralmente local e a permissão de acesso deveria ser prévia para cada servidor – como se para cada site em que você entrasse você precisasse de usuário e senha). Deste modo, não é de se admirar que no 2020 a representação do acesso a rede seja como é, com “fortalezas de dados” interligadas e protegidas por “muralhas” de software cujo acesso é quase que exclusivo aos Netrunners (a classe de personagem que representa os hackers). Particularmente, este é o aspecto do jogo que menos aprecio, pois é o sistema de invasão de computadores e obtenção de dados parece antiquado diante da realidade em que vivemos hoje, só sendo interessante em jogos onde todos os personagens são Netrunners.

Conclusão

Cyberpunk 2020 é um grande jogo, definitivamente um os meus favoritos. Ele pode ser jogado com o cenário original, no ano 2020, naquele estilo punk dos anos 80, com muito couro, permanente nos cabelos, óculos espelhados e frases de efeito (no melhor estilo Blade Runner encontra Mad Max) ou com algo renovado, em um cenário alternativo, coisa que nem ao menos dá trabalho ao mestre, bastando refazer algumas projeções tecnológicas do autor e mantendo todo o resto. Jogar no futuro sombrio com um personagem hacker pode ser legal, mas divertido mesmo é jogar nas ruas, vivendo cada noite (pois em Cyberpunk estranhamente sempre é noite – hehehe) como se fosse a última, chutando a porta e metendo chumbo na concorrência.

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